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18/07/2008

II Capítulo (final de capítulo)

- Da tua beleza. Tens uma beleza digna de uma Deusa. Acho que Morpheu se encantou pela tua beleza e não é para menos. - Conforme dizia estas palavras Hipnos afagava-me o rosto, desenhando-o com os seus dedos. O seu toque era sereno. A seu lado não sentia a segurança que sentia com Morpheu, nem aquela sensação de ter surpresas a qualquer momento, mas sentia-me tranquila e serena com Hipnos.

- Que estranho! - Disse eu - Pensava que dormir era estar ao lado do Deus do sono e afinal aqui estou eu, ao seu lado e nem quero dormir.

Hipnos não conseguiu evitar de rir.

- Como estão iludidos os mortais. São apenas poderes que nós temos. O facto de ser o Deus do sono significa tenho o dom de fazer dormir e repousar quem precisar, mas também que posso usar o sono eterno para me defender dos meus inimigos. Não significa que perante a minha presença se tenha necessariamente que dormir.

Estava tão maravilhada com a presença de Hipnos, sentia-me tranquila na sua companhia, que nem me apercebi que Morpheu tardava em voltar.

De repente a luz começava a desaparecer e aos poucos uma escuridão semelhante à noite começava a cobrir parte do reino.

- Aqui também anoitece?

-Sim. Quando a rainha do escuro manto de estrelas, estende o seu manto. Este cobre grande parte do Universo.

- Quem?

-Nix a rainha da noite. É melhor nos recolhermos.

- E Morpheu como nos encontrará?- Perguntei eu.

- Não te preocupes. Ele saberá onde nos encontrar. Basta que ele pense em ti que te encontrará.Deves querer comer alguma coisa?

- Sim. Confesso que com tudo isto me saberia bem saborear um jantar.

-Então vem comigo. És minha convidada. Morpheu parece demorar...

De repente lembrei-me das palavras do meu protector, da preocupação de Morpheu que Thanatos se aproximasse de mim, o temor assolou-me a mente.

-Para onde? Thanatos não vive contigo?

- Sim. Mas podes ficar descansada. Thanatos não se aproximará de ti. Ele vive comigo nos campos elísios. Mas não habita a minha morada no reino de Morpheu.

Sentia-me abandonada por Morpheu. Confiei nas palavras de Hipnos e segui-o. Este pegou-me pela mão e percebendo a minha inquietação tentou serenar-me:

-Não te preocupes. Nada de mal te acontecerá.

- Responde-me só a mais uma pergunta. Qual o motivo da preocupação de Morpheu com Thanatos?

Os olhos de Hipnos não conseguiram esconder alguma consternação com a minha questão. Porém respondeu-me:

- É uma longa história, mas descansa que Thanatos só tem poder fora dos domínios de Morpheu e a minha morada ainda pertence aos domínios de Morpheu.

- O que aconteceu? – Perguntei receosa e curiosa.

- Contar-te-ei tudo enquanto comermos. Agora vem.

16/07/2008

II Capítulo (3º parte)

Inquietava-me a ironia na voz de Morpheu, a sua preocupação que Thanatos se aproximasse de mim. Estaria morta e ele não me queria dizer? Estudara que o rio Letes passava junto do reino de Hades, o reino dos mortos. E lembrava-me de termos passeado junto às suas margens. Seria que tudo era tão belo e sereno como eu via, ou tudo era uma ilusão gerada por Morpheu pois este dissera que isto era o sonho que eu escolhera. Hipnos interrompeu-me a torrente de pensamentos e interrogações que iam na minha mente:

- Em que pensas?

-Desculpa esqueci-me que, não lês pensamentos. Estou morta? – Perguntei sem levantar o olhar. Hipnos sorriu.

- Não. Acredita. Este é o reino de Morpheu e és sua protegida. Morpheu não tem qualquer poder sobre os mortos ou sobre o seu reino. Temes que ele te iluda? -respondeu Hipnos irradiando um brilho dourado que pareciam raios de sol a emanar dos seus cabelos doirados.

- Sim. Ele é Morpheu o deus dos sonhos criador de ilusões. Eu sou apenas uma entre tantas mortais. Se não estou morta porque é que estou aqui? O que levaria um Deus a auxiliar uma mera mortal como eu?

- Os Deuses são caprichosos. É um capricho de Morpheu. Mas não penses que és a primeira mortal que Morpheu auxilia. Ele gosta de mostrar o seu poder perante Cronos. Quanto ao resto terás de perguntar a Morpheu. Pois este costuma assumir as formas desejadas pelas mortais, mas perante ti, mostrou-se como é. Por isso se criou alguma ilusão foi para te proteger. E consigo perceber porque correu em teu auxílio.

-Não tinhas dito por capricho? Para mostrar o seu poder a Cronos? - Disse eu com uma ponta de ironia.

Hipnos sorriu.

-Não tens consciência pois não?

-De quê? -perguntei sem perceber onde queria chegar.

14/07/2008

II Capítulo (2ª parte)

Sabia que Morpheu me lia os pensamentos, mas não conseguia evitar de pensar em como tudo me espantava naquele sítio. Não conseguia evitar a minha admiração e atracção pela beleza de Hipnos. Quando este se aproximou de nós, uma estranha calma se apoderou de mim tal como uma enorme vontade de me atirar para os seus braços. Morpheu permanecia a meu lado segurando-me pela cintura. Por outro lado sentir o seu toque no meu corpo lembrava-me o quanto eu me sentia bem com ele.

- Bem vinda- disse Hipnos.

-Obrigada – respondi enquanto pensava como este, com os seus olhos e cabelos doirados, me fazia lembrar o brilho do sol. Bocejei e senti-me sonolenta. Não resisti a perguntar:

-Tenciona adormecer-me? – Hipnos sorriu. O seu sorriso era tão belo como o de Morpheu

-Não. Só o farei se tu quiseres. Nada aqui será feito contra a tua vontade. Se Morpheu te acolheu como sua protegida nada farei contra ti. Mas é comum, as pessoas sentirem-se um pouco ensonadas na minha presença. - respondeu sem deixar de sorrir.

Sorri e respondi:

- Ainda bem. Sim tem razão. Deve ser comum uma simples mortal como eu sentir-se ensonada na sua presença. Mas apenas por ter o dom de nos adormecer. Não me parece que seja pela sua presença nos aborrecer.

Enquanto conversávamos vi chegar um jovem que usava um capacete com asas na cabeça, calçava sandálias aladas e na mão trazia um bastão em torno do qual se entrelaçam duas serpentes e cuja parte superior é adornada com asas. Consegui reconhecer Hermes, com algum temor. Afinal este era o mensageiro dos Deuses e aquele que acompanhava as almas até ao Hades. Mas logo Morpheu me dissipou os temores:

-Não temas. Hermes vem falar comigo. - Conforme dissera isto, retirou-me o braço da cintura e dirigiu-se a Hermes. Não consegui ouvir a conversa. Mas ele regressou rapidamente dizendo:

- Tenho de me ausentar por momentos a minha mãe Nix e a minha irmã Fantasia chamam-me com urgência.

Ia começar a segui-lo para me ir embora quando ele me diz:

-Não podes vir. As reuniões de Deuses não podem ser presenciadas por mortais.

-E vais deixar-me sozinha? -perguntei eu não querendo que Morpheu se afastasse de mim.

-Não estás só. O meu pai cuidará de ti na minha ausência. Creio que vais apreciar a companhia.

Pela primeira vez notei alguma ironia na voz de Morpheu ao dirigir-me estas palavras. Não lhe respondi.

- É com prazer que tomarei conta da tua protegida -respondeu o seu pai.

- Por favor não deixes que Thanatos se aproxime.

-Fica descansado, ele encontra-se no mundo inferior com Hades e sabe que é Persona non grata no teu reino.

-Mesmo assim, por favor toma cuidado. - Dizendo estas palavras adoptou uma forma alada que o fazia parecer um anjo e partiu na companhia de Hermes.

Estava tão cansada de andar e ensonada, que, depois de Morpheu partir sentei-me no chão macio de nuvens. Hipnos sentou-se ao meu lado. Apesar de ele me transmitir muita calma e serenidade, sentia-me um pouco insegura sem a presença de Morpheu.

-Não te preocupes. Ele volta.

- Também lês os pensamentos? -perguntei enquanto pensava como a sua voz era melodiosa e serena.

-Não. Apenas sinto o desejo de repouso dos mortais. Mas é evidente a tua inquietação. Descansa que Morpheu não abandona os seus protegidos.

Porém não era apenas o facto de Morpheu se ter ausentado que me deixava inquieta.

(continua...)

11/07/2008

Nos reino de Morpheu II Capítulo (1.ª parte)

Conforme o segui, vi uma mulher bela, que irradiava uma aura de luz junto de si. Por momentos temi:

-É a tua esposa?

De novo aquele riso que, me enchia alma ecoou no ar:

- É a minha irmã Fantasia. Nem sempre ela é tão bela. Por vezes assume formas estranhas de acordo os vossos pensamentos.

-Nossos?

-Sim de acordo com o que vós mortais desejais ver ou pensais que existe. Ela costuma-me ajudar a cumprir os vossos desejos de sonhos.

-Isto é tão belo. Tão sereno…-respondi-lhe

Morpheu, sem nunca largar a minha mão, perguntou-me:

- Tens medo de partir? - Quis fitá-lo, não consegui. A sua beleza ofuscava-me a vista – continuou:

- Ou tens de medo ficar? - E nesse instante envolveu-me nos seus braços pela cintura. As ideias atropelavam-se na minha mente. Aquilo só podia ser um sonho ou um pesadelo, mas era tão real. Morpheu lançou uma gargalhada sonora e disse:

- Claro que estás sonhar. Afinal, encontras-te refugiada no meu reino. Só que este sonho foste que tu escolheste e não eu. - Sorriu. Eu fiquei ainda mais baralhada e assustada por sentir tão grande fascínio perante ele. Então perguntei-lhe:

- Quer dizer que a qualquer momento acordo e tudo isto se desvanece?

Morpheu sorriu enigmático e respondeu:

- Não, exactamente...

Fiquei à espera do resto da resposta, mas ele limitou-se a sorrir e disse

- Segue-me sem medo, sairás do meu reino quando tu quiseres, mas isso é mais complicado do que possas imaginar. Lembra-te que não és minha prisioneira e sim de Cronos. Eu limitei-me aceder ao teu pedido de auxílio. Agora vou mostrar-te o meu reino.

A esta altura já tinha percebido que só falava porque queria, pois Morpheu lia-me os pensamentos. Mas eu sentia-me segura ao ouvir a sua voz. Nisto sorriu e olhou-me de novo:

-Sim. Leio os pensamentos. Só dessa forma posso enviar os sonhos que os humanos pretenderem. Mas, só consigo fazer isso, àqueles que acreditam nos sonhos. Caso contrário o meu irmão Icelus pode interferir.

-Aquele que nos traz os pesadelos?

-Sim. vejo que nos conheces. Porque me pediste auxílio? Icelus importunou-te?

-Por vezes importuna. Não foi por isso. Nem sei porque foi. Nem sei como o fiz. Estudo a vossa História.

O sorriso de Morpheu mais uma vez lhe emoldurou o rosto:

- Estudam aquilo que nós pretendemos que vós humanos acreditassem

. -Como assim? Não és Morpheu?

- Sim. Mas nem tudo acontece como está descrito nos livros. Supostamente eu viveria deitado em uma cama de ébano, dentro de uma caverna escura cercado de papoilas. Não é?

-Não me recordo.

-É natural. Estamos a passear junto ao rio Letes. É melhor afastarmo-nos.

-Rio Letes?

-Sim o rio do esquecimento. O qual atravessarás quando quiseres partir do meu reino.

Conforme nos afastámos, um jovem tão belo como Morpheu passou ao longe a correr e acenou.

-É outro dos teus irmãos?

-Não, é o meu pai Hipnos. - Disse sem sorrir. Vi o brilho afastar-se dos olhos de Morpheu.

Nunca pensara que Hipnos fosse tão belo, além de que o supunha no seu eterno sono. Mas pareceu-me que a minha admiração pela beleza de Hipnos causara alguma apreensão em Morpheu, pois este que, até aí se mantera afastado, voltou a envolver-me com o seu braço na minha cintura, como se quisesse que eu permanecesse junto dele. (continua)