Morpheu quebrou o silêncio com a voz trémula como se sentisse hesitante, desconcertado, desorientado.
-Achas que eu não saberia? ….
-É possível. Se ela própria não o soubesse….
-Mas alguém me daria a notícia da sua perda ou do seu eventual nascimento, não achas?.
-Tu devias saber que nos nossos domínios tudo é possível..
-Aonde pretendes chegar com isto? O que insinuas?.
-Nenhum de nós é cego para não ver as semelhanças entre esta tua nova protegida que por acaso tem nome de Deusa, e aquela que em tempos conquistou o teu coração, a Safira….
-Sabes que eu encerrei esse capítulo da minha vida. Perdi Safira para sempre e gostaria que o assunto ficasse por aqui..
-Mas deixa-me terminar, não te intriga que a mãe de Pandora se chamasse Safira e tivesse morrido de doença prolongada?.
-Como sabes isso?.
-Foi ela própria que me que me contou..
-Isso só quer dizer que provavelmente ela é filha de Safira. Não tem de ser necessariamente minha, nem tua….
- Sabes muito bem que nunca me envolvi com Safira..
No meio desta conversa, até porque já me começava a irritar ignorarem que eu existia, e apesar de não ser nenhuma Deusa , não era surda, decidi interrompê-los:.
-Desculpem meus senhores, mas acho que vos posso esclarecer a vossa dúvida. Segundo a minha mãe chamava-se Ícaro e faleceu de acidente quando eu tinha três anos. A minha mãe tinha fotografias dele espalhadas por toda a casa. Como vêem, era simples terem a resposta, bastava perguntarem-me. Agora se sou filha da Safira que vocês conheceram também não vos sei responder.- Ambos se calaram me fitando um pouco envergonhados por falarem de mim como alguns adultos falam das crianças na sua presença, como se as ignorassem..
.
Fantasia estava perdida de riso pela figura de patetas que achava que ambos tinham feito..
No entanto embora ambos tivessem pedido desculpa por não me perguntarem. Tornei a ter a impressão de uma estranha troca de olhares entre eles como se algo ainda pudesse não bater certo..
Foi Morpheu quem de novo quebrou o silêncio:.
- Está na altura de partir. – estendeu-me a mão e perguntou:.
-Sempre vens comigo?.
-Sim respondi serenamente, mas gostaria de fazer uma pergunta a sós a Hipnos..
- Então sê breve por favor. – E dizendo isto, Hipnos abraçou Morpheu e Fantasia que saíram de seguida, ficando a aguardar por mim à entrada da gruta..
Nessa altura não consegui conter a raiva que sentia por Hipnos me ter posto à prova:.
- Defender-me-ias na Cascata? Ou deixarias que eu morresse? Ou ainda era tua intenção desmascares-me e mostrar a Morpheu o quanto lhe és superior por seres mais esperto do que ele que confiou numa simples mortal como eu? Honestamente qual era a tua ideia, desculpe, a sua ideia, diviníssimo Hipnos? - Perguntei com ironia sentindo uma raiva ainda maior por continuar a sentir aquela atracção magnética, que me fazia desejar jogar-me nos seus braços. Mas a raiva de me sentir traída desta vez impedira-me de me voltar aproximar..
Hipnos baixou os olhos como se estivesse arrependido limitando-se a responder:.
-Desculpa, não tinha intenção de te magoar e mesmo que eu estivesse errado sobre ti, proteger-te-ia. Cumpriria a promessa feita a Morpheu. Mas….
-Mas o quê? - Perguntei intrigada e impaciente por saber que Morpheu e Fantasia me aguardavam. (Continua)
A estadia
Há 8 anos
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